Por dentro do Dragão Fashion Brasil, o festival que celebra moda, cultura e novos talentos
O DFB Festival 2026 acontece entre os dias 9 e 12 de junho, na Praia de Iracema, em Fortaleza. Integrada às comemorações dos 300 anos da capital cearense, a edição retorna a um dos territórios mais simbólicos da cena cultural da cidade com o tema “Praia de Iracema: coração e cérebro da Cidade Dragão”, conectando moda, memória urbana e a força criativa do Nordeste.
Escrito por Redaçāo Badauê · 8 de junho de 2026

Sobre o Festival Dragão Fashion Brasil
O Dragão Fashion Brasil, também conhecido como DFB Festival, é uma das principais vitrines da moda autoral brasileira. Criado em 1999 pelo idealizador Claudio Silveira, o evento nasceu em Fortaleza, no Ceará, e cresceu até se consolidar como o maior festival de moda autoral da América Latina e o terceiro maior festival de moda do país.
O nome do festival vem do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, equipamento cultural de Fortaleza, com título inspirado no apelido dado a Francisco José do Nascimento, um jangadeiro e líder popular cearense que entrou para a história por sua coragem na luta contra a escravidão. A relação com o espaço marcou a identidade do evento desde o início, aproximando moda, arte, cultura e território em uma mesma plataforma criativa.
Novos talentos, moda autoral e artesanato à beira mar
Reunindo grandes nomes da moda autoral brasileira, marcas independentes e novos criadores, o DFB Festival 2026 constrói uma narrativa que aproxima território, identidade cultural e criação contemporânea em uma programação espalhada por diferentes pontos simbólicos de Fortaleza. Pela primeira vez, o festival descentraliza simultaneamente sua programação de passarela pela Praia de Iracema, ocupando espaços como Rua dos Tabajaras, Estoril, Ponte dos Ingleses e Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura em uma leitura estética que dialoga diretamente com a paisagem urbana e afetiva de Fortaleza. A proposta reforça a conexão histórica do festival com o bairro que ajudou a consolidar parte da cena cultural da cidade, criando um percurso onde moda, arquitetura, memória e comportamento passam a dividir o mesmo espaço criativo.
Um dos principais propósitos do DFB Festival é funcionar como um celeiro de novos talentos. Por meio de concursos, ações formativas e oportunidades de apresentação, o evento abre caminhos para estudantes de moda, estilistas recém-formados e criadores independentes de diferentes regiões do país. Essa vocação faz do festival uma plataforma de lançamento para novas ideias, novas marcas e novas narrativas.
Outro pilar importante é o foco na moda autoral. Diferente de eventos mais orientados pelo comércio tradicional ou por calendários rígidos de temporada, o Dragão Fashion Brasil valoriza o trabalho conceitual, a identidade própria e a liberdade de criação. Nas passarelas do festival, a moda aparece como expressão cultural, linguagem artística e ferramenta de afirmação estética.
A conexão com o artesanato também é parte fundamental da identidade do evento. O DFB promove uma relação direta com as raízes locais, levando para a passarela técnicas tradicionais do Nordeste e valorizando o trabalho de coletivos de artesãos, costureiras e comunidades criativas. Bordados, rendas, trabalhos manuais e saberes transmitidos entre gerações ganham protagonismo em criações contemporâneas.
Line Up
Entre os destaques desta edição, estão o desfile de Silvânia de Deus, na Rua dos Tabajaras, a apresentação de Lino Villaventura na Ponte dos Ingleses e o projeto “Vai Maria”, idealizado pelo Iprede e assinado por Cândida Lopes, no Estoril. A programação amplia o diálogo entre moda autoral, inclusão social e experiências urbanas, aproximando o público da criação de forma mais aberta e integrada à cidade.
O festival também apresenta uma nova estrutura para os desfiles realizados no Espaço Galpão, na Rua Dragão do Mar. Com capacidade para cerca de 800 convidados, o ambiente contará com passarela em formato de “X”, inspirada nas principais semanas de moda internacionais. Com 23 metros de comprimento por 10 metros de largura, a estrutura passa a figurar entre as maiores salas de desfile do país.
A edição 2026 reúne estilistas consagrados, marcas independentes e novos criadores que ajudam a desenhar os novos caminhos da moda brasileira. Entre os nomes confirmados estão
Lino Villaventura, Almir França, George Azevedo, David Lee, Melk Zda, J. Cabral, Silvânia de Deus e Gabriela Fiuza, além de marcas e coletivos como Mancuda, Ethos, Casa Aika, Lire Brand, Studio Orla, 407 AA e Rodrigo Tremembé.
Projetos colaborativos também ganham protagonismo na programação, como o Mãos da Moda, reunindo Adriana Meira, Luci Bortowski, Dua, Carnavália, Teroy13, Areia, Inttuí e Morada, além do movimento Nordestesse, representado por marcas como Patu e Almacor. A curadoria reforça o olhar do DFB para a diversidade criativa nordestina e para o fortalecimento de novos modelos de produção autoral.
O compromisso com a formação segue como uma das bases do festival. O tradicional Concurso dos Novos reúne instituições de ensino de diferentes regiões do país, como Ateneu, UCS, UDESC, UFCA, UFPE, Unifor, Unipê e UTFPR, consolidando o DFB como plataforma de descoberta e projeção de novos talentos da moda brasileira.
Confira o line up completo:
Programação
09 de junho | Terça-feira
18h30 — Concurso dos Novos (Ateneu, UCS, UDESC e UFCA) — Sala Branca 19h — 100% CEART — Sala Preta
19h30 — Almir França — Sala Branca
20h — Casa Aika — Sala Preta
20h30 — Mancuda — Sala Branca
21h — David Lee — Sala Preta
10 de junho | Quarta-feira
16h30 — Ethos — Rua dos Tabajaras
17h — Silvânia de Deus — Rua dos Tabajaras
18h30 — Concurso dos Novos (UFPE, Unifor, Unipê e UTFPR) — Sala Branca 19h — George Azevedo — Sala Preta
19h30 — Mãos da Moda (Adriana Meira, Luci Bortowski e Dua) — Sala Branca 20h — Lire Brand — Sala Preta
20h30 — J. Cabral — Sala Branca
21h — Gabriela Fiuza — Sala Preta
11 de junho | Quinta-feira
16h30 — Jô de Paula — Estoril
17h — Vai Maria por Cândida Lopes — Estoril
18h30 — Mãos da Moda (Carnavália, Teroy13 e Areia) — Sala Branca
19h — Oco Club — Sala Preta
19h30 — Nordestesse apresenta Patu — Sala Branca
20h — 4 Town — Sala Preta
12 de junho | Sexta-feira
16h30 — Lino Villaventura — Ponte dos Ingleses
18h30 — Mãos da Moda (Inttuí e Morada) — Sala Branca
19h — 407 AA — Sala Preta
19h30 — Nordestesse apresenta Almacor — Sala Branca
20h — Rodrigo Tremembé — Sala Preta
20h30 — Melk Zda — Sala Branca
21h — Studio Orla — Sala Preta
Shows e energia criativa
Inserida no conceito de “energia criativa”, a Arena DFB se consolida como espaço de convergência entre música, design e economia criativa ao reunir nomes como Fernanda Abreu, Ana Cañas, Alice Caymmi, FBC e Os Garotin em apresentações gratuitas na Praça Verde do Centro Dragão do Mar, além de DJs, bandas e projetos independentes ligados à cena cultural local, promovendo encontros entre público, artistas e criadores.
Entre os destaques nacionais da programação estão Alice Caymmi, com repertório que transita entre MPB, pop e experimentações contemporâneas; Ana Cañas, com o espetáculo “Ana Cañas Canta Rita Lee”; o trio Os Garotin, que mistura soul, R&B e música urbana; além do rapper mineiro FBC, um dos principais nomes da cena independente brasileira.
Encerrando os destaques nacionais do festival, Fernanda Abreu apresenta a turnê “Da Lata 30 Anos”, celebrando as três décadas do álbum lançado em 1995. Os shows terão acesso gratuito, sujeito à capacidade do espaço.
Programação musical
9 de junho (terça-feira)
DJ Renata Dib | Alice Caymmi | Ana Cañas canta Rita Lee | DJ Nego Celo
10 de junho (quarta-feira)
Projeto Voyage | Super Banda | Os Garotin | DJ Davi Fiuza
11 de junho (quinta-feira)
DJ Viúva Negra | 4rtin | FBC | DJ Lola Garcia
12 de junho (sexta-feira)
DJ Maria Tavares | Transacionais | Daniel Peixoto | Fernanda Abreu | DJ Isa Capelo
Expansão como plataforma multicultural
Com o passar dos anos, o festival expandiu seu formato e se tornou uma verdadeira plataforma multicultural. Além dos desfiles, a programação passou a reunir gastronomia, shows musicais, palestras, oficinas educativas e experiências voltadas à economia criativa. Essa ampliação reforça o papel do DFB como um encontro entre moda, cultura, conhecimento e entretenimento.
Ao unir novos talentos, marcas autorais, artesanato e programação cultural, o Dragão Fashion Brasil reafirma a potência criativa do Nordeste e sua relevância para a moda nacional. O festival nasce de um território específico, mas projeta discussões que atravessam todo o Brasil: identidade, autoria, inovação, memória e futuro.
Por isso, entender o DFB Festival é também reconhecer a importância de uma plataforma que há mais de duas décadas aposta na moda como expressão cultural e como caminho para revelar novos criadores. Um evento que celebra o fazer autoral, fortalece a cena independente e mostra que a moda brasileira tem muitas origens, sotaques e possibilidades.
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