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Ecos do Brasil Futures Forum

É preciso ensinar os jovens a imaginar

Escrito por Redação Badauê · 31 de agosto de 2026

Ecos do Brasil Futures Forum 
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Crédito: Badauê
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A participação da Badauê no primeiro Brasil Futures Forum (BFF), realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro na última semana de agosto, trouxe para o centro do debate uma questão essencial para a construção de futuros possíveis: como ensinar os jovens a imaginar quando o presente é marcado por incertezas?

Para a Badauê, essa é uma das chaves para pensar em novos futuros. Não basta ensinar a resolver problemas; é preciso ensinar a imaginar. E imaginar futuros melhores passa necessariamente por recuperar memórias, reconhecer territórios, valorizar diferentes formas de conhecimento e ampliar a capacidade de escutar aquilo que já foi dito, há séculos.

No painel O Papel da Educação na Reconstrução do Imaginário Social – Como ampliar nossa capacidade de imaginar, aprender e ensinar futuros em tempos de incerteza? Especialistas de diferentes áreas discutiram a chamada crise do imaginário e a dificuldade de parte da juventude brasileira em projetar um amanhã que vá além dos desafios que enfrenta hoje.


“Quando a promessa de que a educação levará necessariamente a uma vida melhor deixa de se concretizar, a própria capacidade de projetar o futuro pode ser afetada”
Um dos pontos de partida foi o estudo Futurofobia à Futurotopia, realizado com quase 700 jovens brasileiros. Os dados mostram que 62% enxergam o futuro como uma ameaça e 80% o associam à ansiedade. Ao mesmo tempo, quase 90% acreditam que é possível aprender a imaginar. A contradição revela uma oportunidade: imaginar também é uma competência que pode ser desenvolvida.Para o médico Marco Antonio Andreazzi, gerente de pesquisas especiais do IBGE e responsável pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), os dados ajudam a dimensionar os desafios relacionados à saúde mental, ao bem-estar e aos hábitos dos jovens brasileiros. Entre eles, está a percepção de que estudar nem sempre representa, para essa geração, um caminho seguro para melhores oportunidades de trabalho, renda e mobilidade social.

“Quando a promessa de que a educação levará necessariamente a uma vida melhor deixa de se concretizar, a própria capacidade de projetar o futuro pode ser afetada”

afirmou Andreazzi, ressaltando que abordar a juventude exige reconhecer sua diversidade.

A psicóloga, escritora e consultora Danielle Ferreira chamou atenção para o fato de que não existe uma única juventude brasileira. Raça, classe, gênero, sexualidade e território interferem diretamente nas possibilidades de sonhar e imaginar. Para ela, a possibilidade de futuro também é distribuída de forma desigual: enquanto alguns jovens crescem cercados por referências, direitos e perspectivas, outros convivem desde cedo com violência, insegurança e ausência de oportunidades. Para muitos, sonhar não é apenas uma escolha, mas uma possibilidade que precisa ser construída.


É nesse ponto que a reflexão sobre futuro encontra outro elemento fundamental para a Badauê: a memória.

rofessor titular de Ecologia da UFRJ e responsável pela Cátedra Unesco de Alfabetização em Futuros do Museu do Amanhã, Fábio Scarano defende uma perspectiva de antecipação regenerativa, capaz de aproximar campos que historicamente foram tratados de maneira separada, como ciência, arte e espiritualidade. Para ele, a imaginação é o campo de possibilidades para a criação de futuros e essa capacidade está diretamente relacionada à nossa maneira de compreender o passado e o presente.

Essa perspectiva também encontra eco nos conhecimentos ancestrais. O povo Yanomami, por exemplo, carrega há milênios a narrativa da “queda do céu”: quando as árvores que sustentam o céu são derrubadas e o subsolo é violado, um equilíbrio fundamental é rompido. Em outra linguagem, a tradição ancestral dialoga com questões que a ciência contemporânea apresenta diante da crise climática.


“SÃO DIFERENTES FORMAS DE DIZER ALGO QUE A HUMANIDADE PARECE CONHECER HÁ MUITO TEMPO, MAS QUE NEM SEMPRE CONSEGUE OUVIR”

ensina o professor.

Scarano analisa que vivemos em uma sociedade de pouca memória e baixa atenção, na qual a velocidade do cotidiano e a presença constante das tecnologias mantêm as pessoas permanentemente distraídas. Ao mesmo tempo, conhecimentos e experiências de outras gerações são frequentemente esquecidos em nome de um progresso que nem sempre considera aquilo que está sendo deixado para trás.

Para o professor da UFRJ, antecipar exige repertório. E repertório não nasce apenas do novo, mas também da capacidade de recuperar experiências, conhecimentos e modos de compreender o mundo acumulados ao longo da História. “Olhar para o passado não significa voltar atrás, mas ampliar as ferramentas para reconhecer o presente e imaginar aquilo que ainda não existe”, observa.

É nessa perspectiva que a reflexão de Fábio Scarano se conecta à proposta da Badauê, quando a utopia, como ele cita, não precisa ser apenas um destino. Pode ser o caminho que começamos a construir quando conseguimos imaginar que outro futuro é possível.


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