Obra que retrata o cotidiano amazônico vence primeira edição do Prêmio Badauê
A fotógrafa paraense Patrícia Brasil conquistou o primeiro lugar no Prêmio Badauê, Gingado Brasileiro com a obra "A margem que rema no tempo", que retrata a relação entre pessoas, rio e paisagem na Amazônia. A premiação reuniu dez finalistas e reforça o compromisso da Badauê com a valorização da diversidade cultural e da produção artística brasileira
Escrito por Redaçāo Badauê · 24 de junho de 2026

A Badauê, Plataforma de Inovação Cultural, em busca da potência criativa e da estética cultural do Brasil, trouxe à tona talentos artísticos em sua primeira edição do Prêmio Badauê, Gingado Brasileiro. Nesta edição, o primeiro lugar ficou com a fotógrafa Patrícia Brasil, do Pará, com a obra intitulada, A margem que rema no tempo, que revela a espontaneidade do corpo em movimento, na corrida em direção ao rio e na relação entre as pessoas, a água e a paisagem.
Para a vencedora do Prêmio Gingado Brasileiro, a experiência possibilitou construir uma identidade para trabalhos que revelam uma maneira de viver e ocupar territórios, exaltando a natureza e as formas de convivência compartilhada.
O GINGADO ESTÁ NO CORPO E NA FORMA COMO ELE SE EXPRESSA EM RITMOS. NA IMAGEM PREMIADA, À MARGEM QUE REMA NO TEMPO, O GINGADO ESTÁ MUITO PRESENTE NO MOVIMENTO DOS CORPOS, NA CORRIDA, NA ESPONTANEIDADE E NA FORÇA DESSE GESTO COLETIVO EM DIREÇÃO À ÁGUA
A vencedora do prêmio também ressalta a relevância de uma iniciativa pioneira voltada à valorização da cultura brasileira, sobretudo para quem produz a partir da Amazônia e busca ampliar conexões, além de reafirmar que a arte brasileira é múltipla e composta por diferentes narrativas. “Valorizar a cultura brasileira é reconhecer que existem muitos Brasis e que nossa maior riqueza está nessa diversidade, nessa mistura e na capacidade que temos de transformar a vida em linguagem, beleza e criação”, afirma a fotógrafa.
De acordo com a diretora de Criação da Badauê, Natália Lucas, a obra captura um modo de vida em que natureza e cotidiano coexistem de forma inseparável, transformando o ambiente em um espaço de liberdade, aprendizado e pertencimento. A fotografia traduz, entre mergulhos, travessias e brincadeiras, um Brasil que resiste sem perder a leveza, que encontra beleza no gesto cotidiano e que transforma a convivência em cultura.
É UM REGISTRO SENSÍVEL DE UMA IDENTIDADE CONSTRUÍDA PELO MOVIMENTO, PELA COLETIVIDADE E PELA CONEXÃO COM SUAS ORIGENS, ONDE O GINGADO NÃO É APENAS VISTO, MAS VIVIDO
Do mesmo modo, Patrícia acredita que fotografar é uma forma de celebrar o gingado presente na resistência, no bom humor, na beleza e na capacidade de fazer da vida uma celebração cotidiana. Uma fotografia movida pela curiosidade, pela escuta e pelo borogodó. O Prêmio Badauê contou com dez finalistas, que apresentaram suas obras em diferentes contextos, linguagens e experiências visuais, evidenciando a qualidade, a diversidade e a força narrativa do já existente Banco Badauê, reafirmando o papel da fotografia como linguagem capaz de documentar, sensibilizar e provocar reflexão.
Como resultado, Natália Lucas ressalta que a diversidade de repertórios e experiências dos jurados enriqueceu o processo de avaliação, contribuindo para uma escolha pautada pela excelência artística, pela potência narrativa e pela capacidade das obras de dialogar com o conceito de Gingado Brasileiro. Dessa forma, pela primeira vez, o Brasil passa a contar com um acervo preservado de trabalhos de artistas diversos, valorizando profissionais muitas vezes invisibilizados pela sociedade.
ACREDITAMOS QUE RECONHECER ARTISTAS É RECONHECER QUEM AJUDA A CONSTRUIR A IDENTIDADE CULTURAL DO BRASIL. CADA OBRA AMPLIA NOSSO REPERTÓRIO, PRESERVA MEMÓRIAS E REVELA PERSPECTIVAS QUE ENRIQUECEM A FORMA COMO ENXERGAMOS O PAÍS. AO VALORIZAR A PRODUÇÃO CRIATIVA BRASILEIRA, FORTALECEMOS NÃO APENAS TRAJETÓRIAS INDIVIDUAIS, MAS TAMBÉM A RIQUEZA CULTURAL DO BRASIL, SUA DIVERSIDADE E SUA CAPACIDADE DE IMAGINAR NOVOS FUTUROS
Sobre a banca de jurados
A banca de jurados foi composta por profissionais com trajetórias reconhecidas na fotografia, moda, design, pesquisa, comunicação e produção cultural. São eles: Daniel Virgínio, pesquisador, comunicador e criador do Cafofo do Dani; Mônica Sampaio, estilista, empreendedora e fundadora da Santa Resistência, que utiliza a moda como linguagem para contar histórias sobre ancestralidade, brasilidade e identidade; Marina Fontanari, diretora criativa e cofundadora da Patú, que transforma memórias, territórios e tradições em criação contemporânea; Ricardo Beliel, fotojornalista, documentarista e professor, que dedicou mais de cinco décadas a registrar os territórios, as pessoas e as transformações do Brasil; Ronald Cruz, fotógrafo, artista visual, curador e recifense, que desenvolve um trabalho voltado à construção de narrativas sobre identidade, ancestralidade e pertencimento; Amanda Tropicana, fotógrafa documental, pesquisadora visual e vencedora do Prêmio Pierre Verger de Fotografia, que dedica sua trajetória ao registro de manifestações culturais, saberes populares e histórias que ajudam a compor a diversidade do Brasil; e Sioduhi Waíkhʉn, designer, pesquisador e fundador da Sioduhi Studio, que desenvolve um trabalho que conecta ancestralidade, inovação e futurismo indígena amazônico.
Sobre Patrícia Brasil
Patrícia Brasil nasceu em 1979, vive e trabalha no Pará. Encontrou na fotografia uma forma de compreender o mundo e de se expressar por meio das pessoas, dos territórios e das paisagens que atravessam sua trajetória. Seu trabalho dedica especial atenção às comunidades quilombolas, às infâncias e velhices amazônicas, às cidades ribeirinhas e às periferias urbanas do Norte e Nordeste do Brasil. Nos últimos anos, voltou seu olhar também para os rios, as florestas e a natureza amazônica, entendendo-os não como cenário, mas como parte inseparável da experiência humana.
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