O podcast da Badauê sobre economia criativa já está disponível
Conversa com Edna dos Santos-Duisenberg, Alícia Cesario e Thalita R Almeida, mediada por Roberto Amazonas, explora criatividade, brasilidade e o que move a economia criativa contemporânea
Escrito por Redaçāo Badauê · 1 de julho de 2026


O podcast da Badauê gravado durante a Rio2C 2026 já está disponível para assistir abaixo. A conversa reuniu três vozes com perspectivas distintas e complementares sobre economia criativa: Edna dos Santos-Duisenberg, economista que passou 30 anos na ONU em Genebra e criou o primeiro programa global sobre o tema; Alícia Cesario, cofundadora da Badauê; e Thalita R Almeida, artista da Baixada do Rio de Janeiro que representa, na prática, o que a economia criativa produz e movimenta no cotidiano de quem vive de criar. A mediação ficou a cargo de Roberto Amazonas.
Uma conversa que começa na ONU e chega ao Rio
Edna dos Santos-Duisenberg foi a responsável por criar, ainda em 2004, o primeiro programa de economia criativa das Nações Unidas, numa época em que o tema ainda enfrentava ceticismo dentro das próprias instituições internacionais de desenvolvimento. Naquela conferência realizada em São Paulo, pela primeira vez a cultura foi colocada como parte central de uma estratégia de desenvolvimento econômico, com a presença do então ministro da cultura Gilberto Gil como símbolo dessa virada. O que veio depois foi um trabalho de formiga: a construção de um banco de dados de comércio internacional de produtos e serviços criativos, a produção de relatórios que se tornaram referência mundial e anos de viagens e conferências para convencer governos de que criatividade é economia.
O primeiro relatório registrou 480 bilhões de dólares em comércio internacional de produtos e serviços criativos. Hoje, décadas depois, a linguagem que Edna e sua equipe inauguraram se tornou pauta política em praticamente todos os continentes. E no dia seguinte à gravação desse podcast, o Brasil lançou oficialmente o Programa Nacional de Economia Criativa, marco que a comunidade criativa brasileira pleiteava há anos.
O Brasil como país da criatividade
Um dos fios condutores de toda a conversa é a relação entre brasilidade e economia criativa. Para Alícia Cesario, o gingado brasileiro sempre foi um ativo, mas durante muito tempo foi tratado como caricatura. A virada que a Badauê vem defendendo há cinco anos é exatamente essa: transformar o que o Brasil tem de mais genuíno em matéria-prima estratégica para marcas, negócios e territórios.
A conversa toca num ponto que vai além do discurso: a diferença entre celebrar a criatividade brasileira e construir a infraestrutura necessária para sustentá-la. O Brasil já acumula reconhecimento internacional como país da criatividade, foi inclusive nomeado primeiro país da criatividade num evento no Canadá, mas a próxima fase exige mais do que orgulho. Exige política pública, ferramentas, mercado e estrutura para que esse reconhecimento se converta em economia real, consistente e distribuída por todo o território nacional.
A tecnologia que nasce da ausência
Um dos momentos mais potentes do episódio surge quando a conversa chega à inovação brasileira. A tese colocada na mesa é direta: a tecnologia brasileira nasce da ausência. Quando falta recurso e falta acesso, o brasileiro se reinventa com o que tem. A gambiarra, a adaptação, o improviso diante da escassez não são limitações a serem superadas. São a origem de uma forma específica de inovar que o mercado global hoje reconhece e valoriza como criatividade disruptiva.
Esse raciocínio se conecta diretamente ao debate sobre inteligência artificial, que também ocupa espaço significativo no episódio. Num momento em que a IA acelera a produção e aprofunda a pasteurização do conteúdo, o diferencial humano é exatamente o que a máquina não consegue replicar: julgamento, discernimento, pensamento crítico e a capacidade de imaginar futuros que ainda não existem em nenhum banco de dados. A inteligência artificial é treinada com o passado. Cabe ao ser humano, e especialmente ao criativo brasileiro, imaginar o que vem a seguir.
Por que assistir
O episódio é uma rara oportunidade de ouvir, numa mesma conversa, quem pensou a economia criativa como política global, quem a aplica como estratégia de branding e mercado e quem a vive como expressão artística e existencial. São três perspectivas que raramente aparecem juntas e que, nesse encontro, constroem uma visão ampla, honesta e profundamente brasileira sobre o presente e o futuro da criatividade como força econômica.
O podcast está disponível para assistir abaixo.
Assista o podcast completo
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