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O que o SP2B revelou sobre o futuro dos negócios, da comunicação e das marcas

A Badauê acompanhou a primeira edição do São Paulo Beyond Business e garimpou os aprendizados que mais importam para quem constrói marcas e estratégias no Brasil contemporâneo

Escrito por Redação Badauê · 14 de agosto de 2026

O que o SP2B revelou sobre o futuro dos negócios, da comunicação e das marcas — imagem 1
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O que o SP2B revelou sobre o futuro dos negócios, da comunicação e das marcas — imagem 2
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O SP2B chegou ao Parque Ibirapuera reunindo lideranças de negócios, comunicação, tecnologia e entretenimento numa programação distribuída por sete palcos ao longo de uma semana. William Bonner e Manzar Feres abriram o Summit Globo falando sobre confiança e influência. Tadeu Schmidt e Rodolfo Medina discutiram o poder do ao vivo. Cindy Feijó mediou um painel sobre a diferença entre audiência e comunidade. Felipe Dellacqua falou sobre engenharia societária. A Badauê esteve lá e garimpou oito aprendizados que atravessam setores e dizem muito sobre o que separa marcas que ocupam espaço de verdade das que apenas aparecem.

Influência não é barulho

Num mercado onde qualquer pessoa pode falar para milhões com um celular, a questão deixou de ser alcance e passou a ser confiança. Curtidas e compartilhamentos são métricas de atenção, não de influência real. "Influenciar não é capturar a atenção a qualquer custo, mesmo que para isso seja preciso distorcer a realidade. Influência real é responsabilidade", foi uma das frases mais citadas do evento. A credibilidade construída ao longo do tempo é o ativo que nenhum impulsionamento compra, e num ambiente contaminado pela desinformação, ela se tornou o bem mais escasso e mais valioso do mercado.

A atenção dura segundos. A confiança precisa de tempo.

Essa assimetria é o principal desafio estratégico das marcas hoje. "A atenção dura segundos, mas confiança precisa de tempo e de consistência para ser conquistada", foi um dos pontos centrais dos painéis do Summit Globo no SP2B. O problema está na tentação de otimizar para o curto prazo, conquistar cliques e visualizações, enquanto o que realmente importa para o negócio se constrói em outra escala de tempo e por outros caminhos.

A atenção dura segundos. A confiança precisa de tempo.
Crédito: @alabadaue

Marca que faz parte da experiência fica

As marcas que mais geraram resultado nos cases apresentados no SP2B foram as que deixaram de tratar o conteúdo como veículo para o anúncio e passaram a fazer parte da experiência em si. Um fast-food que entra no BBB como parte do jogo, não como pausa comercial. Uma marca financeira que emociona numa transmissão esportiva ao vivo. A diferença entre presença e intromissão é criatividade e pertinência, e marcas que ainda pensam em interrupção como estratégia estão operando com um modelo que o público já aprendeu a ignorar.

O ao vivo é o ativo mais escasso da economia da atenção

Fazer com que milhões de pessoas parem tudo ao mesmo tempo para viver algo juntas ficou raro e, por isso, valioso. Shows, esportes e eventos ao vivo têm uma capacidade que nenhum conteúdo gravado replica: a experiência simultânea que se transforma em memória coletiva. "Daqui a dez anos, vamos lembrar é daquilo que a gente viveu junto", foi uma das falas mais marcantes do evento. O ao vivo também traz espontaneidade e imprevisto, e é exatamente essa imprevisibilidade que gera conexão genuína, mas ela só funciona quando existe uma estrutura sólida por trás.

Audiência e comunidade não são a mesma coisa

Esse foi um dos debates centrais do SP2B. Audiência é quem assiste. Comunidade é quem pertence. A diferença não está no tamanho, está no vínculo. Marcas que constroem comunidades de verdade não fabricam pertencimento: identificam identidades e conexões que já existem e criam espaços, rituais e reconhecimento para elas. Quem tenta fabricar comunidade do zero quase sempre cria apenas audiência com nome diferente.

Nenhuma empresa conhece o Brasil sozinha

Um país continental, com sotaques, valores e dinâmicas completamente distintas de região para região, não cabe em uma única estratégia de comunicação ou negócio. As empresas que crescem com consistência no Brasil são as que desenvolveram inteligência local, que entendem que falar com públicos de regiões diferentes exige olhares distintos sem perder a coerência da marca. "Para falar com o gaúcho, a marca precisa se conectar verdadeiramente com os valores das pessoas que vivem no Rio Grande do Sul", foi um dos exemplos trazidos ao debate.

O imprevisto precisa de preparo

O ao vivo traz a espontaneidade que o público quer ver, mas o imprevisto que gera conexão genuína só acontece quando existe uma estrutura sólida por trás. A espontaneidade que parece natural quase sempre é resultado de muito preparo. O mesmo vale para qualquer marca que quer ser ágil em tempo real: a capacidade de reagir bem ao inesperado é construída antes, não na hora.

Relações societárias mal estruturadas quebram negócios sólidos

Um dos painéis mais práticos do SP2B abordou um tema que raramente aparece em festivais de inovação mas que destrói mais negócios do que qualquer crise de mercado: o desalinhamento entre sócios. Muitos conflitos entre fundadores não surgem de problemas no negócio, mas de questões que não foram discutidas quando a sociedade foi formada. Regras de saída, vesting, processos de tomada de decisão e critérios de alocação de capital não são detalhes jurídicos. São a engenharia que sustenta uma sociedade quando o crescimento acelera ou quando a crise chega.

O que fica do SP2B

Ao longo de uma semana no Parque Ibirapuera, o SP2B deixou claro que os desafios mais relevantes para os negócios hoje não são tecnológicos, são humanos. Como construir confiança numa época de abundância de informação. Como criar vínculos reais numa era de conexões superficiais. Como conhecer um país imenso sem perder a coerência da marca. Como construir sociedades que resistam ao tempo. São perguntas que não têm resposta rápida, mas que separam as marcas e as empresas que vão durar das que vão desaparecer no próximo ciclo de tendências.

A cobertura do SP2B foi realizada pela Badauê, Plataforma de Inovação Cultural.

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