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Desfile da MISCI no Sambódromo da Marquês de Sapucaí apresenta a coleção Escapismo Tropical na Rio Fashion Week.
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MISCI transforma a Sapucaí em passarela para apresentar Escapismo Tropical

Em desfile inédito no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, a MISCI apresenta Escapismo Tropical para o Verão 2027. A coleção transforma o imaginário da festa, do corpo e do movimento em uma reflexão sobre continuidade, território e moda brasileira contemporânea.

Redação Badauê · 17 de abril de 2026

Escapismo Tropical entre percepção e realidade

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Escapismo Tropical entre percepção e realidade

Para o Verão 2027, a MISCI apresenta Escapismo Tropical em um desfile inédito no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, dentro da primeira edição do Rio Fashion Week. Ao ocupar um dos maiores símbolos da cultura brasileira, a marca transforma a passarela em um espaço de reflexão sobre o Brasil para além da ideia de escapismo, propondo uma leitura em que festa, corpo e movimento não representam fuga, mas formas de reorganizar a vida e seguir em frente.

A coleção nasce justamente dessa tensão entre imagem e experiência. De fora, o Brasil costuma ser imaginado como um lugar de pausa, leveza, sol, música e prazer. Mas a MISCI tensiona esse olhar ao afirmar que, para quem vive aqui, o escape não é necessariamente saída, e sim estrutura de continuidade. Carnaval, ritmo, roupa e presença aparecem como dispositivos de reorganização do cotidiano, criando uma narrativa em que o tropical não é apenas atmosfera, mas construção cultural.

O Rio de Janeiro surge como vitrine desse imaginário, especialmente durante o carnaval, quando a cidade se projeta como espaço suspenso, solar e desejado. É desse fluxo — de pessoas, imagens e afetos — que parte o desfile da MISCI: um encontro entre quem chega pela primeira vez à paisagem mítica do litoral e quem reconhece nela uma linguagem cultural já enraizada. Nesse percurso, o imaginário do Rio dos anos 1970, do Pier de Ipanema e das Dunas do Barato também atravessa a coleção, evocando referências de liberdade e experimentação ligadas a nomes como Gal Costa e Maria Bethânia.

Sapucaí, carnaval e construção coletiva

Na Sapucaí, essa narrativa ganha forma concreta. Uma passarela azul atravessa a avenida como linha de horizonte, evocando o mar e a paisagem tropical que moldam a identidade carioca. Ao fundo, a Apoteose enquadra a cena enquanto a bateria da Beija-Flor de Nilópolis pulsa como força vital da cultura popular brasileira, transformando o desfile em uma experiência que aproxima moda, arquitetura e performance.Ao escolher a Sapucaí como cenário, a MISCI também estabelece uma aproximação respeitosa e colaborativa com o universo do carnaval. A coleção dialoga com a tradição das escolas de samba ao reinterpretar blazers e ternos por meio de uma alfaiataria de viés carnavalesco, com novas proporções e materiais. A marca amplia essa troca ao convidar profissionais ligados ao carnaval para participar do processo criativo, como a carnavalesca Annik Salmon e o carnavalesco e figurinista Bruno Oliveira, reforçando a ideia de escuta, aprendizagem e construção compartilhada.Esse sentido coletivo também aparece na continuidade do compromisso da MISCI com o fazer manual brasileiro. Em parceria com o Instituto do Bordado Filé de Alagoas, liderado pela artesã Petrúcia Lopes, a coleção desenvolve novas peças que exploram a técnica tradicional do bordado filé em diferentes escalas e aplicações. A colaboração com o grupo Redeiras, formado por artesãs da Colônia de Pescadores São Pedro, no extremo sul do Brasil, também amplia essa lógica ao transformar redes de pesca descartadas em tecidos e acessórios carregados de memória, sustentabilidade e ressignificação.

Pesquisa material, colaborações e moda brasileira contemporânea

A inovação material é um dos eixos centrais de Escapismo Tropical. Entre os destaques está o desenvolvimento de um novo couro vegano feito de capim, criado em parceria com a Nova Kaeru e a beLEAF™, que preserva as fibras, veios e irregularidades naturais do material, transformando uma matéria efêmera em superfície duradoura. O trabalho com técnicas artesanais segue em diferentes frentes, com peças em crochê com placas de níquel e fio de juta natural, macramê em seda aplicado à alfaiataria e joias em madeira esculpidas manualmente, com destaque para a madeira Imbuia.Na alfaiataria, a linha Airon Martin ganha versões mais fluidas, incorporando seda às construções clássicas e reforçando a ideia de movimento que atravessa toda a narrativa da coleção. O jeans aparece em propostas de upcycling, com peças existentes reconstruídas em novos modelos, enquanto o beachwear se expande na continuidade da parceria com Lenny Niemeyer, que apresenta novas estampas inspiradas no universo marítimo e peças em tricot. A coleção também se abre a colaborações com nomes como Alan Crocetti, que desenvolve três brincos exclusivos, e a bordadeira Wendy Cao, cuja atuação aproxima o universo artesanal brasileiro da precisão da alta costura.As estampas ganham protagonismo com colaborações de Gabriel Peixoto e Isabel Moura, enquanto os novos desenvolvimentos têxteis assinados pela Innovativ reforçam a pesquisa da MISCI com jacquards e tecidos exclusivos. Entre as parcerias da temporada, também aparecem Riachuelo, Havaianas, CASIO Vintage e VEJA, esta última em um movimento que aproxima a MISCI de um eixo global da moda contemporânea por meio de um sneaker exclusivo reinterpretado a partir do modelo Paulistana. Com Escapismo Tropical, a MISCI amplia sua narrativa e reafirma seu compromisso com uma moda brasileira contemporânea conectada ao território, à cultura popular e às formas coletivas de criação.

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