Handred transforma roupa em arquivo vivo na coleção Akáshica
Na coleção Akáshica, André Namitala investiga memória, tempo e identidade para transformar a roupa em um arquivo vivo. A nova proposta da Handred cruza espiritualidade, barroco, música e artesania em peças que ampliam a moda como construção de sentido.
Escrito por Redaçāo Badauê · 16 de abril de 2026



Memória, tempo e identidade
Para o Inverno 2026, a Handred apresenta Akáshica, coleção desenvolvida por André Namitala a partir de uma investigação sobre memória, tempo e identidade. Inspirada na ideia dos registros akáshicos — compreendidos como um campo de memória universal onde experiências e imagens se acumulam e atravessam o tempo — a coleção transforma a roupa em um arquivo vivo, capaz de traduzir camadas subjetivas em linguagem material.
A partir de práticas de meditação guiada com os olhos vendados e acompanhadas por música clássica, André Namitala constrói um repertório íntimo que se manifesta em camadas, cores densas e estruturas precisas. Em vez de seguir uma leitura literal ou apenas mística, Akáshica apresenta o tempo como elemento ativo na construção das peças, reforçando a moda como território de percepção, memória e presença.
Barroco, ópera e artesania
A coleção se aproxima do barroco ao explorar a tensão entre luz e sombra, excesso e contenção. Como uma espécie de ópera brasileira, Akáshica organiza sua narrativa visual por meio de contrastes, dramaticidade e movimento. Esse diálogo se expande para a passarela com a apresentação ao vivo da Companhia de Ópera da Lapa, regida pelo maestro do Theatro Municipal, ampliando a experiência do desfile para além da roupa.
A paleta percorre marrons densos, verdes, pontos de rosa, preto e cobre. Desenhos granulados e corroídos pelo tempo remetem a afrescos, enquanto referências a cúpulas, tetos lúdicos e abóbadas decoradas surgem reinterpretadas em intervenções manuais. Couro, tafetás, gazares, shantungs, lã, veludo e algodão compõem a base da coleção, que reúne peças em couro com bordados em matelassê, vestidos em crepe com intervenções em veludo de seda e construções em shantung com plissado, pesponto e bordado manual. O trabalho artesanal também aparece nas aplicações desenvolvidas em parceria com o ateliê SSSopro, responsável por elementos em cerâmica incorporados às peças.



Em Akáshica, a Handred aprofunda sua investigação sobre a roupa como construção de sentido. Símbolos místicos e elementos de diferentes matrizes culturais atravessam a coleção como parte de um imaginário coletivo, aparecendo em bordados, estampas e cerâmicas pintadas à mão. O mistério, aqui, não está na superfície, mas nos planos que a peça revela aos poucos.
Leia também
SPFW N61 divulga horários dos desfiles e ingressos a partir de R$ 110
Leia agora →Almar Trancoso receberá KES Summit 2026 e reunirá lideranças sobre tecnologia, inovação e futuro
Leia agora →Brasil lidera crescimento global das viagens corporativas e deve movimentar US$ 35,8 bilhões em 2026
Leia agora →SP2B conclui edição de estreia após oito dias de inovação, negócios e cultura no Parque Ibirapuera





