Mãos da Moda encerra primeira edição no Dragão Fashion Brasil com coleções que unem moda autoral e saberes artesanais
Resultado da união entre Riachuelo Lab e Nordestesse — com cobertura da Badauê, o projeto apresentou oito coleções cocriadas por marcas autorais e grupos artesanais da Bahia e da Paraíba durante a 27ª edição da semana de moda cearense.
Escrito por Divulgaçāo · 15 de junho de 2026



Sete meses de cocriação, oito coleções e uma estreia em Fortaleza
Fortaleza foi o palco escolhido para a conclusão da primeira edição do Mãos da Moda. Entre os dias 9 e 12 de junho, o projeto ocupou a programação do Dragão Fashion Brasil, na Praia de Iracema, apresentando ao público o resultado de sete meses de intercâmbio criativo entre marcas autorais e grupos artesanais da Bahia e da Paraíba.
Com o tema “Praia de Iracema: coração e cérebro da Cidade Dragão” e patrocínio da Riachuelo, a 27ª edição da maior semana de moda do Norte e Nordeste transformou a orla da capital cearense em um grande circuito criativo, com passarelas distribuídas pela Ponte dos Ingleses, Estoril, Rua dos Tabajaras e Centro Dragão do Mar. Dentro da programação, oito coleções inéditas mostraram como o encontro entre moda autoral e tipologias de artesanato pode gerar novas narrativas criativas e fortalecer saberes tradicionais.
Da Chapada Diamantina ao litoral baiano: os três primeiros encontros entre criadores e artesãs
Por meio do Riachuelo Lab, plataforma dedicada ao incentivo da inovação, da criatividade e do desenvolvimento de talentos brasileiros nas áreas de moda, arte e cultura, a Riachuelo apresentou o Mãos da Moda, em parceria com a Nordestesse para conectar marcas autorais a grupos artesanais locais para fomentar a moda produzida no Nordeste. Ao longo de sete meses, as marcas selecionadas participaram de um processo de cocriação acompanhado por mentores. Esse trabalho deu origem a coleções que buscam o aprimoramento da moda autoral e das técnicas artesanais da região.
As apresentações começaram no dia 10 de junho com Adriana Meira Atelier, Luci Bortowski e Dua. Adriana apresentou “Rio que Conta”, coleção desenvolvida com a Associação de Mulheres Quilombolas Artesãs de Barra, Bananal e Riacho das Pedras, que transformou o crivo rústico produzido pelas artesãs de Rio de Contas em flores, texturas e elementos inspirados nas paisagens da Chapada Diamantina. Já Luci Bortowski levou à passarela “Memórias para o Futuro”, criada em parceria com a Associação dos Artesãos de Saubara, explorando a tradição da renda de bilro em peças inspiradas na relação das rendeiras com o mar e nos saberes transmitidos entre gerações. Encerrando o desfile, Dua apresentou “Benditas”, coleção com foco em acessórios, desenvolvida com as artesãs da Chitarte, em Cachoeira, que homenageou a Irmandade da Boa Morte por meio do encontro entre metal e bordados tradicionais.
Macramê, streetwear e Cerrado: o segundo dia do Mãos da Moda na passarela
No dia 11 de junho, a programação reuniu Carnavália, TEROY13 e Areia. A Carnavália desfilou “Trama Delírio”, criada em conjunto com a Aramê, associação de artesãs de Araruna, reinterpretando o macramê a partir de referências na obra do artista Tunga. A TEROY13 levou à passarela “Vertigem”, desenvolvida com o coletivo Mulheres do Algodão de Guanambi, combinando referências do streetwear e do universo clubber a técnicas artesanais adaptadas para tecidos como jeans, sarja e corino. Já a Areia apresentou “Mimosa 2 – Açucarados”, coleção criada com a Associação das Mulheres Artesãs Padre André (Amapa), incorporando memórias de infância, bordados inspirados na fauna e na flora do Cerrado em uma alfaiataria leve e fluida.
Renda, labirinto e força feminina: o encerramento do Mãos da Moda no DFB
Encerrando a participação do projeto no Dragão Fashion Brasil, Inttuí e Morada apresentaram suas coleções no dia 12 de junho. A Inttuí levou à passarela “Pele do Céu”, fruto da parceria com a Rendavan, associação de rendeiras de Dias d’Ávila, explorando a renda em uma coleção inspirada no diálogo entre arquitetura, arte e cultura brasileira. Já a Morada apresentou “Gira”, desenvolvida com a Associação Quilombola de Pedra D’Água. A proposta revisitou o tradicional bordado labirinto em uma leitura contemporânea, com inspiração na força feminina e em narrativas ligadas às religiões de matriz africana.
Nesta primeira edição, o Mãos da Moda contemplou marcas e grupos artesanais da Bahia e da Paraíba. A proposta é que a iniciativa tenha continuidade nos próximos anos, incorporando gradualmente novos estados brasileiros e ampliando sua rede de conexões entre criadores, artesãos e territórios, fortalecendo ainda mais o protagonismo da moda nacional.






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