Futebol feminino vira território estratégico para marcas antes da Copa de 2027
Estudo da IDW Company mapeia crescimento de audiência, consumo e oportunidades comerciais no futebol feminino brasileiro às vésperas do primeiro Mundial sediado na América do Sul
Escrito por Redação Badauê · 29 de julho de 2026


O futebol feminino brasileiro se consolida como um ativo comercial em expansão às vésperas da Copa do Mundo Feminina de 2027 — primeira edição do torneio realizada em solo sul-americano. É o que revela o estudo "Boladonas — O Futebol Feminino no Brasil", produzido pela IDW Company, que mapeia audiência, consumo e potencial de mercado da modalidade no país.
Uma base de consumo em formação
Os números indicam uma curva de interesse consistente. Segundo pesquisa da Nexus em parceria com a CBF (2025), 41% dos brasileiros afirmam ter aumentado o interesse pelos jogos da seleção feminina na última década, e 56% já assistiram a alguma partida da modalidade. Um em cada cinco brasileiros acompanha um jogo de futebol feminino a cada 15 dias — uma frequência de consumo já comparável a outros esportes de calendário regular.
A percepção pública também é favorável: 73% dos brasileiros classificam a imagem da seleção feminina como positiva ou muito positiva. Parte desse salto está diretamente ligada à prata conquistada nas Olimpíadas de Paris, em 2024, evento que disparou as buscas por "futebol feminino brasil" no Google e trouxe a modalidade para o radar de um público mais amplo.
Audiência de TV em alta
A curva de consumo se confirma nos números de transmissão. Em 2025, os jogos de futebol feminino no Grupo Globo alcançaram cerca de 50 milhões de espectadores na TV aberta — crescimento de 15% frente ao ano anterior — enquanto o público do SporTV cresceu 28% no mesmo período. Para o mercado publicitário, esse tipo de curva de crescimento de dois dígitos ano a ano é um dos indicadores mais relevantes de um ativo em ascensão.
Um público que compra
Um dos achados mais estratégicos do estudo é o perfil do consumidor. Projeções da Nielsen Sports em parceria com a PepsiCo apontam que o futebol feminino deve alcançar 800 milhões de fãs globalmente até 2030 — crescimento de 38% na base mundial — e que 60% desse público será formado por mulheres, tornando a modalidade um dos raros esportes globais com audiência majoritariamente feminina.
No Brasil, esse padrão de consumo já aparece na prática: 75% dos ingressos vendidos para o amistoso entre Brasil e Estados Unidos na Neo Química Arena foram comprados por mulheres. Para marcas que buscam falar com esse público — historicamente sub-representado como consumidor primário no universo esportivo —, o futebol feminino se apresenta como canal direto de acesso a uma audiência engajada e em crescimento acelerado.
Estrutura em profissionalização
O crescimento de audiência acompanha uma consolidação da base competitiva. Em 2024, 194 clubes filiados disputavam competições oficiais no país, com 64 equipes distribuídas entre as três divisões do Campeonato Brasileiro Feminino. Desde 2019, CBF e Conmebol exigem que clubes da Série A e da Libertadores mantenham equipe feminina profissional e categorias de base — uma exigência regulatória que amplia o número de ativos disponíveis para patrocínio e parceria comercial ano após ano.
Copa 2027 como catalisador
O estudo posiciona a Copa do Mundo Feminina de 2027 como o principal evento de aceleração desse mercado. Sediada pela primeira vez na América do Sul, a competição reunirá 32 seleções em oito cidades brasileiras entre 24 de junho e 25 de julho. Para a IDW Company, o torneio combina quatro vetores que raramente convergem ao mesmo tempo: crescimento de audiência, comunidade já engajada, disputa por legado institucional e a vantagem local de sediar o evento.
Segundo o estudo, essa convergência abre uma janela de oportunidade específica para marcas — mas com uma ressalva: a recomendação não é tratar o torneio como um patrocínio pontual. O relatório aponta que o valor real está em construir presença de longo prazo, associada a experiência, comunidade e contribuição efetiva para o desenvolvimento da modalidade, em vez de exposição concentrada apenas durante o período do Mundial.
Uma oportunidade além do patrocínio esportivo tradicional
Para o mercado publicitário, o futebol feminino reúne hoje um conjunto raro de atributos: audiência em crescimento acelerado, comunidade com alto grau de identificação e pertencimento, representatividade de públicos historicamente pouco atendidos pelo esporte, e um evento internacional de grande porte sediado no próprio país. A combinação, segundo a IDW Company, cria um território de conexão entre esporte, cultura e negócio que tende a se fortalecer nos próximos anos — independentemente do desempenho da seleção em campo.
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