Primavera X: a pesquisa que está redefinindo o que significa ter 50 anos no Brasil
Evento realizado em São Paulo apresenta dados inéditos sobre mulheres entre 45 e 60 anos e uma geração que está reinventando o envelhecimento
Escrito por Redaçāo Badauê · 14 de julho de 2026



No dia 13 de julho, em São Paulo, a Badauê acompanhou o lançamento do Primavera X, pesquisa desenvolvida pela Consumoteca em parceria com a pesquisadora Thaís Farage sobre mulheres entre 45 e 60 anos. O estudo reúne expertise em comportamento do consumidor, antropologia e estudos geracionais a um olhar aprofundado sobre gênero e transformações contemporâneas. O resultado é um retrato inédito de uma geração que o mercado ainda não aprendeu a enxergar direito.
O auge é agora
A principal provocação do estudo é também sua conclusão mais contundente: para as mulheres da Geração X, o auge não ficou para trás. Está acontecendo agora. Marina Raole, head de insights e sócia da Consumoteca, apresentou dados que mostram mulheres mais satisfeitas com a vida do que em qualquer fase anterior, especialmente quando financeiramente independentes, com saúde mental estável ou melhorada e projetos em expansão.
"Estamos diante de mulheres que estão construindo uma nova cultura", afirmou Marina.
"SUAS MÃES E AVÓS NÃO PUDERAM ESTAR ONDE ELAS ESTÃO NESSA IDADE. ELAS SÃO A PRIMEIRA GERAÇÃO A CHEGAR AOS 50 SEM O SCRIPT QUE ESPERAVAM SEGUIR, E QUANDO PERCEBEM QUE A VIDA NÃO FICOU MENOR, FICA MUITO BOM."
A pesquisa também desbanca o mito do declínio cognitivo: o repertório acumulado por essas mulheres é uma ferramenta de leitura e contexto que nenhum algoritmo substitui. Como o estudo aponta, a inteligência artificial só funciona para quem tem repertório.
A figura da loba
Um dos conceitos mais potentes do evento é o da "loba": mulheres que performam vitalidade não para o mercado, mas para si mesmas. Em um mundo que exige performance permanente, o maior medo dessas mulheres não é envelhecer. É cansar, no sentido de o corpo frear a quantidade de projetos que querem executar. A Geração Z já percebeu isso, e nomes como Flávia Alessandra, Taís Araújo e Ingrid Guimarães aparecem como referências que transcendem faixas etárias.
A pesquisa aponta três erros recorrentes: criar produtos sempre para corrigir algo, reduzir a pauta dessas mulheres a envelhecimento e longevidade, e tratar a representatividade como militância, quando na prática é reconhecer quem tem poder de compra real. São elas que compram para os filhos, para os pais e para si mesmas.
Flávia Alessandra: a liberdade que vem com o tempo
Em entrevista à Badauê, Flávia Alessandra traduziu em palavras o que a pesquisa mostra em dados. "Tem várias liberdades que chegam com o amadurecimento. O próprio fazer o que se tem vontade, não se preocupar tanto com a opinião dos outros. A mulher tem idade para casar, tem idade para se formar, tem idade para ter filho, tem idade para tudo. E o nosso papel é ir colocando tudo isso abaixo. Primavera X aí, construindo, fazendo história, dizendo como vão ser os próximos passos."
A pesquisa está disponível gratuitamente e pode ser conferida no clicando aqui.
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