Badauê lança o Made in Brasil com Gingado na Semana Criativa de Tiradentes
Plataforma de inovação cultural apresenta sistema de valorização da brasilidade como ativo estratégico para marcas e negócios e propõe desenvolver metodologia para reconhecer seu impacto na geração de valor
Escrito por Monica Coronel · 20 de outubro de 2026

A cultura brasileira, seus saberes, territórios e formas de criar estiveram no centro da participação da Badauê na 10ª Semana Criativa de Tiradentes, realizada de 15 a 18 de outubro, na cidade histórica mineira. Durante a programação, a plataforma de inovação cultural lançou o Made in Brasil com Gingado, iniciativa que propõe sistematizar o potencial da brasilidade na construção de valor para marcas, produtos, serviços e experiências.
A apresentação ocorreu no dia 18 de outubro, no Palco CORAL, no Centro Cultural Yves Alves, durante a palestra conduzida por Elizabeth Ramos, com a participação de Alicia Cesario, CEO da Badauê, e Natália Lucas, diretora de criação. Em um auditório quase lotado, as duas sócias compartilharam o palco pela primeira vez para apresentar o projeto e discutir como os ativos culturais, criativos, intelectuais e produtivos brasileiros podem contribuir para a diferenciação dos negócios.
A palestra integrou a programação da décima edição da Semana Criativa de Tiradentes, que reúne design, arquitetura, arte, moda, gastronomia, artesanato, patrimônio e diferentes manifestações da cultura brasileira. Ao longo de quatro dias, o festival promoveu mais de 200 atividades e reuniu cerca de 80 palestrantes, ocupando ruas, praças e casarões históricos da cidade. A edição anterior havia recebido 22 mil visitantes.
Da brasilidade à estratégia de negócios
O lançamento do Made in Brasil com Gingado parte de uma questão central para a Badauê: como transformar o gingado brasileiro em um elemento transversal de valorização do Made in Brasil, capaz de orientar estratégias de marcas em diferentes setores?
Para desenvolver essa reflexão, Alicia Cesario e Natália Lucas apresentaram a trajetória da plataforma, um diagnóstico de iniciativas internacionais que comunicam as capacidades e os diferenciais de seus países, com referências da Itália, da Alemanha e da Coreia do Sul, e uma análise do contexto brasileiro. A apresentação avançou até a proposta de um sistema que organiza os repertórios nacionais e suas possibilidades de aplicação aos negócios.
“PARA A BADAUÊ, O GINGADO BRASILEIRO SEMPRE FOI UMA FERRAMENTA PARA GERAR VALOR. ELE CONCENTRA UMA HABILIDADE MUITO NOSSA DE EMPREENDER EM MEIO A CONTEXTOS ADVERSOS — ALGO CADA VEZ MAIS NECESSÁRIO PARA OS NEGÓCIOS. NOSSA TESE É QUE O BRASIL POSSUI ATIVOS VALIOSOS, MAS AINDA PRECISA DESENVOLVER FORMAS MAIS ESTRUTURADAS DE RECONHECER E TRANSFORMAR ESSES ATIVOS EM VANTAGEM COMPETITIVA PARA MARCAS E NEGÓCIOS”
Um dos pontos centrais da palestra foi a apresentação do Mapa de Valor Brasileiro, ferramenta proprietária da Badauê que sistematiza a construção de ondas de valor para marcas e negócios a partir do gingado brasileiro. A proposta é transformar referências culturais, conhecimentos, técnicas, histórias e modos de fazer em elementos que possam orientar decisões estratégicas, fortalecer identidades e abrir oportunidades de mercado.
A apresentação também trouxe o case Farm x Badauê x Rip Curl, apontado pela plataforma como exemplo prático da proposta. A iniciativa foi apresentada para demonstrar como a brasilidade pode ser incorporada à construção de valor de uma marca, articulando referências culturais e posicionamento de mercado.
Uma proposta de reconhecimento com critérios
O Made in Brasil com Gingado não se limita à valorização da identidade brasileira na comunicação das empresas. O projeto prevê o desenvolvimento de uma metodologia para compreender como os ativos nacionais são identificados, interpretados e incorporados às estratégias de marcas e negócios, além de investigar sua contribuição para a diferenciação e a geração de valor.
A proposta inclui a realização de uma pesquisa anual sobre a brasilidade aplicada como categoria econômica. O levantamento deverá investigar o desempenho de marcas que trabalham seus repertórios brasileiros de maneira estruturada, as categorias com potencial para capturar prêmio de preço, os mercados com maior demanda, os atributos mais valorizados e as oportunidades ainda não atendidas.
A intenção é construir uma base de conhecimento capaz de dimensionar essa categoria e orientar a definição de parâmetros públicos de reconhecimento. A futura chancela Made in Brasil com Gingado deverá resultar desse processo, considerando não apenas a origem geográfica de um produto, mas a maneira como os ativos brasileiros participam efetivamente da construção de uma marca.
“O BRASIL POSSUI ATIVOS CULTURAIS, CRIATIVOS, INTELECTUAIS E PRODUTIVOS CAPAZES DE GERAR VALOR, E PRECISA DE ESTRUTURAS MELHORES PARA RECONHECER, DESENVOLVER E AMPLIÁ-LOS”
Segundo a diretora de criação, o desafio está em estabelecer uma relação verificável entre esses ativos e as decisões de negócio. Território, matéria-prima, conhecimento, técnica, história e repertório cultural são alguns dos elementos que poderão ser considerados na metodologia, observando como se traduzem em produtos, serviços, experiências e estratégias de posicionamento.
Cultura como fonte de inovação e competitividade
A iniciativa dialoga com uma transformação na maneira como o mercado reconhece o valor das empresas. O estudo Intangible Asset Market Value, da Ocean Tomo, aponta que os ativos intangíveis passaram de 17% do valor de mercado das empresas do S&P 500, em 1975, para 92% no fim de 2025. Os dados evidenciam a crescente relevância de elementos como reputação, conhecimento, propriedade intelectual e significado de marca.
“REPUTAÇÃO, CONHECIMENTO, PROPRIEDADE INTELECTUAL, IDENTIDADE E SIGNIFICADO DE MARCA SÃO CONSTRUÇÕES QUE DEPENDEM DE TEMPO, CONSISTÊNCIA, EXPERIÊNCIA E RECONHECIMENTO. NÃO SE CONSOLIDAM POR MEIO DE UMA CAMPANHA ISOLADA NEM SE REPRODUZEM SIMPLESMENTE COM INVESTIMENTO”
Ao lançar o Made in Brasil com Gingado na Semana Criativa de Tiradentes, a Badauê coloca em discussão a possibilidade de transformar a riqueza cultural brasileira em uma vantagem estratégica para os negócios. A proposta é ampliar o entendimento sobre o que caracteriza um produto ou serviço brasileiro, reconhecendo que sua identidade pode estar tanto na origem quanto nos conhecimentos, processos, referências e soluções criativas que orientam sua concepção.
Em um festival dedicado ao encontro entre tradição e contemporaneidade, a apresentação reforçou a conexão entre cultura, criação e desenvolvimento econômico. Para a Badauê, o gingado brasileiro pode ser compreendido não apenas como expressão de identidade, mas como um repertório de conhecimentos e possibilidades capaz de inspirar inovação, fortalecer marcas e gerar valor no Brasil e no exterior.
Acesse o "Made in Brasil com Gingado"
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