2º dia do Festival DFB: confira os looks que mais amamos
O segundo dia do DFB Festival 2026 destacou criações atravessadas por território, memória, ancestralidade e corpo. Entre bordados diversos, referências ao litoral potiguar, saberes artesanais da Bahia e da Paraíba, homenagens a Fortaleza e manifestos autorais, os desfiles de Silvania de Deus, George Azevedo, Adriana Meira, Luciana Bortowski e Dua pelo Mãos da Moda, Gabriela Fiuza, Lire e J.Cabral reforçaram a moda como campo de identidade, afeto e expressão cultural.
Escrito por Redaçāo Badauê · 11 de junho de 2026



A Praia de Iracema se transformou em passarela a céu aberto nesta quarta-feira (10), segundo dia de programação do DFB Festival 2026. Integrado às comemorações pelos 300 anos de Fortaleza, o evento levou a moda autoral para diferentes espaços da cidade e teve na Rua dos Tabajaras um de seus momentos mais emblemáticos, transformando um dos cenários mais tradicionais da capital em palco para desfiles ao ar livre.
Māos da Moda
No primeiro desfile do Mãos da Moda no Dragão Fashion Brasil, o projeto idealizado pela Nordestesse e patrocinado pela Riachuelo apresentou o resultado de seis meses de intercâmbio entre estilistas e grupos artesanais da Bahia, conectando criação contemporânea e saberes manuais tradicionais. Na passarela, Adriana Meira Atelier uniu seus patchworks ao crivo rústico produzido por artesãs quilombolas de Rio de Contas; Luci Bortowski reafirmou sua pesquisa em moda regenerativa ao incorporar a renda de bilro de Saubara a peças feitas com tecidos e aviamentos ressignificados; e a Somos Dua criou acessórios em parceria com a Chitarte, associação de Cachoeira reconhecida pelo trabalho com chita bordada. A coleção também trouxe referências à Irmandade da Boa Morte, reforçando a força simbólica das tradições afro-brasileiras e mostrando como o diálogo entre design, artesanato e território pode ampliar caminhos para uma moda brasileira mais autoral, ancestral e inovadora.

Créditos: Paula Matos para Adriana Meira.

Créditos: Paula Matos para Luciana Bortowski.

Créditos: Paula Matos para Dua.
George Azevedo
Em “Vento Forte”, George Azevedo traduz o litoral potiguar em uma coleção vibrante, que transita entre a atmosfera colorida dos anos 1980 e uma elegância noturna marcada por coqueiros, mar e mistério. O estilista reforça sua pesquisa em upcycling ao incorporar tecidos de pipas de kitesurf e patchworks de retalhos antigos do acervo da marca, criando um encontro entre memória, experimentação e energia praiana.
J. Cabral
Quarenta anos de moda autoral vieram para a passarela em forma de manifesto. ANÔNIMOS é a coleção comemorativa de J.Cabral — patchwork, alfaiataria e upcycling em uma paleta silenciosa de bege, preto e branco. Uma declaração de que a moda não escolhe sexo, não escolhe corpo, não escolhe quem pode ocupar espaço. O corpo, aqui, é o centro. Sempre foi
Gabriela Fiuza
Horizonte de Iracema nasceu em 2025 e voltou em 2026 como continuidade — no ano em que Fortaleza celebra 300 anos. A coleção fala de memória afetiva, de permanência e de tudo que o tempo transforma sem apagar. A Ponte dos Ingleses como pano de fundo. O vento, o sal e a luz do poente como matéria. Uma declaração de amor à cidade feita em roupa.
ETHOS
Beatriz Castro chegou à Rua dos Tabajaras com 33 anos de Ethos e uma declaração: somos parte da natureza, não donos dela. A coleção Integração usa linho, crochê, bordado, labirinto e shibori como linguagem — e o crepe de viscose como tela para pinturas à mão. No centro da narrativa, o arquétipo da bruxa: não como figura sombria, mas como a mulher que sabe demais, que conhece as plantas, as fases da lua e o fluxo das águas. Uma moda que respeita o tempo porque foi feita dentro dele.
Silvânia de Deus
Silvania chegou à Rua dos Tabajaras com ODYSSEIA e levou 30 anos de trajetória para a passarela. Uma mulher negra que saiu da periferia de Fortaleza e construiu sua moda ponto a ponto — com bordados cearenses, mãos de mestras artesãs e a certeza de que essa história precisa ser contada. O ateliê é ali, a 660 metros da passarela. A coleção também.
Lire Brand
A Lire fez história ao se tornar a primeira marca de Moda Wellness a desfilar no DFB Festival. A estreia foi uma experiência sensorial: dança, movimento e corpo como ponto de partida, com o Theatro José de Alencar como inspiração. Uma proposta que diz que vestir pode ser, também, um ato de conexão com quem você é.
No conjunto, o segundo dia do DFB confirmou o que a gente já sabe — e que o festival existe para provar: a moda brasileira mais interessante não nasce de tendências importadas. Ela nasce de territórios, de memórias, de corpos, de mãos. Nasce de uma mulher que borda há 33 anos na mesma rua onde desfilou. De um estilista que transforma velas de kitesurf em upcycling. De um coletivo que conecta artesãs a criadores para fazer algo que nenhuma produção em massa consegue replicar.
O segundo dia foi isso: seis narrativas distintas que, juntas, apontaram para a mesma direção. Uma moda que não abre mão de significar. Que carrega sotaque, história e presença. Que sabe de onde vem — e é exatamente por isso que sabe para onde vai.
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