Quando a floresta queima, a cidade também sente
Fumaça compromete a qualidade do ar em Manaus e reacende o debate sobre prevenção, coordenação entre instituições e proteção do território
Escrito por Renata Rosas · 22 de outubro de 2026

As queimadas na Amazônia estão transformando a rotina de quem vive na região e reacendendo o debate sobre a proteção do território. Em Manaus, os efeitos ultrapassam as áreas de floresta e chegam ao cotidiano da população: a fumaça compromete a qualidade do ar, dificulta atividades simples e representa um risco ainda maior para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios. Para quem vive na região, enfrentar novamente esse cenário também significa conviver com a insegurança de não saber até quando ele vai durar.
Sheila, artista do Banco de Artistas da Badauê e moradora de Manaus, descreve o que significa viver esse momento.
“VIVER AQUI E PASSAR NOVAMENTE POR ESSA QUESTÃO CLIMÁTICA QUE AFETA A QUALIDADE DA RESPIRAÇÃO DAS PESSOAS É FRUSTRANTE. NÓS NOS SENTIMOS DESAMPARADOS EM ESTAR PASSANDO POR UMA MESMA SITUAÇÃO.”
Os incêndios florestais também representam uma ameaça que vai além da perda de árvores. Eles afetam animais, insetos, plantas e relações ecológicas fundamentais para o equilíbrio da Amazônia. Cada espécie desempenha uma função nesse sistema, e os impactos das queimadas podem permanecer mesmo depois que o fogo é controlado.
Em setembro de 2026, a Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas solicitou apoio federal para combater incêndios em nove municípios em situação crítica. Segundo documento do Ibama, o Comando do Corpo de Bombeiros do estado dispensou o acionamento de equipes federais de resposta a emergências, informando que, naquele momento, a necessidade era de apoio aéreo. O episódio evidencia a importância da coordenação entre diferentes instituições diante de emergências ambientais.
Mesmo depois do controle das chamas, as consequências podem continuar presentes no solo, na biodiversidade, na saúde das pessoas e nas condições de vida das comunidades afetadas. Por isso, proteger a Amazônia exige mais do que respostas emergenciais, e passa por investimento em prevenção, monitoramento e estratégias permanentes de conservação.
Cuidar da Amazônia também significa cuidar de quem vive nela. A floresta reúne território, biodiversidade, cultura e parte da vida de milhões de brasileiros, e quando ela sofre, os impactos atravessam comunidades, cidades e gerações. Ouvir quem vive essa realidade e fortalecer as ações de proteção ambiental são passos fundamentais para que esse cenário não continue se repetindo.
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