Molho é do Brasil: por que o Menos é Mais fala tão direto com o povo brasileiro
Quando pagode, rua, memória e celebração coletiva se encontram, nasce uma linguagem que o Brasil reconhece de imediato.
Escrito por Badauê & Menos é Mais · 19 de agosto de 2026

Nos últimos anos, a brasilidade passou a ocupar um lugar de destaque na publicidade, na moda, na música e nas estratégias de posicionamento de diversas marcas. Aquilo que sempre esteve presente nas ruas, nos bares, nas festas populares e nos encontros cotidianos ganhou um novo valor simbólico. Mas, enquanto muitos passaram a olhar para esse movimento como tendência, o Menos é Mais já vivia essa narrativa desde o começo. O projeto MOLHO, com o lema Puro Suco do Brasil, não representa uma mudança de direção na trajetória do grupo. Pelo contrário: dá nome, estética e potência a uma identidade que já existia muito antes de a brasilidade se tornar um tema recorrente nas conversas sobre cultura e comunicação.
Presente nas telas dos bares, nos churrascos de domingo e nos encontros entre amigos, MOLHO evidencia uma verdade que sempre acompanhou o Menos é Mais: sua música nasce dos mesmos lugares onde o Brasil constrói suas memórias afetivas. A roda de pagode improvisada, a televisão ligada no bar, os encontros que começam sem hora para acabar e a música que atravessa gerações não aparecem como elementos de um discurso cuidadosamente construído. Eles são, desde a origem, o ambiente natural em que o Menos é Mais existe.
O Brasil cria antes de reconhecer
A música brasileira não sofre com escassez de criação. O que existe é um descompasso entre o que é produzido nos territórios e o que é reconhecido como relevante no imaginário nacional. Esse descompasso se repete ao longo do tempo. O manguebeat, nos anos 90, não surgiu como movimento organizado; era Recife operando uma mistura específica de referências, som e contexto muito antes de ser nomeado como cena. O tecnobrega, em Belém, estruturou um ecossistema próprio de produção e circulação fora da indústria antes de ser entendido como fenômeno. Em todos esses casos, o padrão é o mesmo: primeiro a música acontece, depois ela é entendida.
Antes da brasilidade virar tendência
O crescimento da brasilidade como linguagem de marca revelou um desejo coletivo de voltar os olhos para aquilo que nos torna únicos. Nos últimos anos, diferentes segmentos passaram a revisitar símbolos nacionais, manifestações populares, referências regionais e elementos do cotidiano brasileiro. Movimento que revela uma busca por autenticidade em um cenário cada vez mais saturado por discursos genéricos.



O Menos é Mais não precisou fazer esse caminho. Enquanto muitas narrativas passaram a buscar referências da cultura brasileira para construir identificação, o grupo continuou retratando o universo do qual sempre fez parte. A autenticidade do MOLHO nasce dessa coerência entre origem, trajetória e linguagem.
É por isso que o MOLHO soa tão verdadeiro. O projeto não nasce para acompanhar um movimento do mercado, mas para traduzir em narrativa algo que já fazia parte da identidade do grupo. O lema Puro Suco do Brasil não cria uma nova imagem para o Menos é Mais; apenas torna explícita uma essência que o público já reconhecia muito antes de receber esse nome.
O pagode como patrimônio do encontro
Poucos gêneros musicais representam tão bem a cultura do encontro quanto o pagode. Ele se tornou um espaço de convivência, onde a música funciona como ponto de partida para relações, celebrações e histórias que continuam depois que o último acorde termina.
A roda de pagode rompe a lógica do palco como centro da experiência. Nela, quem canta e quem escuta participam do mesmo momento. O refrão é coletivo, a palma acompanha o ritmo, alguém puxa outra música, outra pessoa completa o verso e, pouco a pouco, a roda deixa de ser uma apresentação para se transformar em um espaço de convivência.
O Menos é Mais nasceu dentro dessa dinâmica. Sua trajetória foi construída em rodas de pagode, encontros espontâneos e apresentações onde a proximidade com o público nunca foi um recurso de comunicação, mas uma consequência natural da forma como o grupo surgiu. Essa origem explica por que sua música transmite uma sensação de intimidade que dificilmente pode ser reproduzida artificialmente.
Um Brasil vivido, não encenado
Se a proposta do MOLHO é revelar o Brasil que já faz parte da identidade do Menos é Mais, fazia sentido que o projeto também saísse dos grandes palcos para encontrar esse país onde ele acontece todos os dias. Em vez de reunir o público em um único lugar, o grupo percorreu cinco cidades brasileiras e transformou espaços públicos, marcados pela memória e pela vida cotidiana, em palco para apresentações abertas.
No Rio de Janeiro, o encontro aconteceu no Amarelinho, um dos pontos mais tradicionais da Cinelândia e símbolo da boemia carioca. Em Campina Grande, a Praça da Bandeira levou o projeto ao coração de uma cidade onde a música e a ocupação dos espaços públicos fazem parte da identidade local.
Em Salvador, a apresentação na Praça Visconde de Cayru, próxima ao Mercado Modelo, reforçou a conexão com um dos lugares mais emblemáticos da cultura popular baiana.
No Distrito Federal, o destino foi o Gama, mais precisamente a rua onde Duzão cresceu. Um momento ainda mais simbólico do projeto, porque aproxima a trajetória do grupo de sua própria origem, escolhendo o lugar onde o vocalista cresceu como palco, reunido com o DNA Brasiliense do grupo. Mostrando que voltar para casa também é uma forma de contar uma história.
Já em Belém, o Mercado de São Brás, um dos espaços mais tradicionais da capital paraense, recebeu a última parada da viagem, reafirmando a diversidade cultural que compõe o Brasil sem perder de vista aquilo que une todas essas experiências: a música como ponto de encontro.
Quando o Brasil se reconhece, nasce a conexão
MOLHO representa um momento importante na trajetória do Menos é Mais porque organiza, em um mesmo projeto, tudo aquilo que sempre definiu o grupo. A música, a estética e a narrativa passam a reforçar uma identidade construída ao longo dos anos, mostrando que a força da brasilidade não está em uma coleção de símbolos, mas na capacidade de representar experiências que atravessam diferentes regiões, gerações e contextos sociais.
Ao antecipar um movimento que hoje ocupa um espaço importante na comunicação das marcas, o Menos é Mais demonstra que algumas narrativas não precisam ser criadas para gerar identificação. Elas já existem porque fazem parte da vida das pessoas. MOLHO apenas torna visível aquilo que sempre esteve presente.
Na Badauê, acreditamos que os movimentos culturais mais relevantes não surgem quando acompanham tendências, mas quando conseguem traduzir comportamentos que já pertencem ao imaginário coletivo.
É por isso que MOLHO ultrapassa o lançamento de um projeto musical e consolida o Menos é Mais como um dos principais representantes de uma brasilidade que se apoia em experiências reais, afetivas e compartilhadas.
MOLHO, de Menos é Mais
Lançado em 2025, MOLHO é um projeto audiovisual gravado em diferentes cidades brasileiras, reunindo músicas inéditas, regravações e participações de artistas como Simone Mendes, Nattan e Pablo.
Ao longo do projeto, o Menos é Mais percorreu cinco cidades — Rio de Janeiro, Campina Grande, Salvador, Gama e Belém. Uma viagem pelo Brasil para mostrar que a brasilidade está nas pessoas, nos encontros e nas histórias que cada território carrega. Disponível em todas as plataformas de streaming e em vídeo, no YouTube.
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