Catarina Mina leva o sertão e a chuva ao SPFW N61 com novas técnicas artesanais e upcycling
Coleção “Bonito pra Chover” expande colaborações para Rio Grande do Norte e Piauí e estreia o uso de resíduos têxteis da Riachuelo entre os processos da marca
Escrito por Redaçāo Badauê · 16 de outubro de 2026



A chuva no sertão nordestino não é tragédia. É celebração. É dessa relação particular entre a caatinga e a água que nasce Bonito pra Chover, coleção apresentada pela Catarina Mina no SPFW N61, nesta quinta-feira, 15 de outubro, em São Paulo. A inspiração se traduz em colares em formato de gota envoltos por macramê, bordados que reproduzem pingos e crochês sinuosos que remetem ao curso dos rios.
Fundada por Celina Hissa, a Catarina Mina segue ampliando o mapa do artesanato brasileiro que alimenta suas coleções. Nesta temporada, três técnicas inéditas entram no repertório da marca: a rede de travessa, vista nos looks de listras coloridas; a renda tramoia, feita pelas artesãs do coletivo Mães do Mar, em Acaraú, no Ceará, que aparece em sobressaias e tops vermelhos; e a palha de agave de Parnaíba, vinda do Piauí, que orna vestidos longos. As colaborações se expandem para o Rio Grande do Norte, com crochê feito nos municípios de Caicó e Acari, região sertaneja do estado.
conta Heloísa Kariery, coordenadora da Casa do Artesão do Seridó.



Essas quatro primeiras entradas marcam ainda a estreia do upcycling entre os processos da Catarina Mina: as peças de crochê foram confeccionadas com resíduos têxteis da Riachuelo. A renda de bilro, a richelieu de agave e o bordado richelieu seguem presentes na coleção, ao lado de bordados de canutilhos em vestidos e brincos e da textura do jacquard de algodão.
O resultado é uma coleção leve e sofisticada. Vestidos sem alças ou com alcinhas finas, túnicas alongadas, calças balão, saias midi e robes amplos compõem o volume da coleção. Há também um investimento em looks de festa, com vestidos longos de seda com flores aplicadas no busto e produções em jacquard de algodão azul-escuro. As modelos chegam à passarela calçando tênis e com cabelo preso em trança solta, sugerindo um uso mais cotidiano para peças de acabamento sofisticado.
A atuação da Catarina Mina vai além das coleções. Desde 2020, quando começou a trabalhar com a renda de bilro, Celina Hissa profissionalizou artesãs e viu crescer o número de pessoas envolvidas na produção. A ideia agora é ampliar essa iniciativa para as novas técnicas incorporadas ao repertório da marca.
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