"Ser global é estar aqui": MISCI lança Filme Manifesto gravado na Cidade do Samba com narração de neguinho da Beija-Flor
Coleção Verão 27 "Escapismo Tropical" ganha desdobramento cinematográfico que traça paralelo entre o desfile de moda e o desfile de carnaval como duas faces de um mesmo sonho brasileiro
Escrito por Roberto Amazonas · 22 de junho de 2026



Sobre o projeto e sua proposta de cocriação
A MISCI apresenta o Filme Manifesto e a campanha de fotos da coleção Verão 27, "Escapismo Tropical", em um lançamento que aprofunda e amplia o universo inaugurado no desfile de 17 de abril de 2026. Gravado nos barracões da Beija-Flor e da Imperatriz Leopoldinense, na Cidade do Samba, e na Sapucaí, o material traça um paralelo histórico e cultural entre dois tipos de desfile: o da passarela e o da avenida. Dois gestos que até podem parecer distintos, mas que fazem parte de uma mesma linguagem: o sonho como ato de resistência e invenção.
A marca, que foi destaque no Rio Fashion Week 2026, traz o carnavalesco Neguinho da Beija-Flor como narrador do filme. A voz que carrega em si décadas de história do carnaval brasileiro, e direção criativa de Nídia Aranha e Airon Martin. A direção é assinada por Ángel Castellanos, responsável também pelas fotografias da campanha.
Dois desfiles, uma linguagem
A escolha dos barracões da Cidade do Samba como espaços de gravações, aconteceu de forma intencional, como tudo no filme. Espaços como esse são a representação de ambientes de trabalho coletivo e memória viva, onde costureiras, carnavalescos e artesãos erguem, com as próprias mãos, aquilo que o mundo inteiro vê como espetáculo. Para a MISCI, o paralelo com o processo de criação da moda é direto e necessário.
"O desfile de moda e o desfile de carnaval partem do mesmo lugar: do trabalho de muitas mãos, da pesquisa, da construção coletiva de uma ideia. A Sapucaí e a passarela desembocam no mesmo sonho. Quis que esse filme fosse uma declaração disso", afirma Airon Martin, fundador e diretor criativo da marca.
A narração de Neguinho da Beija-Flor não é apenas uma escolha estética.
A PARCERIA VEIO DO DESEJO DE TER ALGUÉM QUE CARREGASSE O CARNAVAL NO CORPO E NA HISTÓRIA COMO UM PEDIDO DE BENÇÃO PARA OCUPAR A SAPUCAÍ DE FORMA RESPEITOSA. SUA VOZ ATRAVESSA GERAÇÕES E TRANSFORMA O FILME EM ALGO QUE ULTRAPASSA A MODA PARA DIALOGAR DIRETAMENTE COM A CULTURA BRASILEIRA
O filme como continuação, não como desdobramento
O Filme Manifesto não funciona como extensão promocional da coleção. Para a MISCI, ele ocupa um lugar próprio e especial na construção da marca. Para Airon, um espaço onde a linguagem proposta no desfile se aprofunda, se narra e se perpetua. A marca opera nesse intervalo entre a passarela e a imagem em movimento como território próprio: onde moda, cinema e poesia se encontram para construir algo que vai além da roupa", define o fundador.
O material dá voz a uma brasilidade que recusa o enquadramento do cartão-postal. Fala do êxodo, de jornadas invisíveis, de um povo que aprendeu que sonhar não é escapar — é sobreviver à poesia. "Essa frase vem de uma leitura muito íntima do Brasil. De um povo que migra, trabalha, sonha e muitas vezes permanece invisível. Para muita gente no Brasil, sonhar nunca foi luxo. É uma ferramenta de permanência” afirma Airon. Além disso, considera uma forma de proteger a própria humanidade diante das dificuldades.
Cultura popular como fundamento
O nome "Escapismo Tropical" carrega uma contradição intencional. "O Brasil muitas vezes foi vendido como fuga, fantasia, paraíso. A coleção pergunta: e se o escapismo for também uma forma de sobrevivência? Não é fugir da realidade; é inventar poesia para atravessá-la. É reconhecer a imaginação como ferramenta de resistência", explica o diretor criativo.
As fotografias de Ángel Castellanos complementam e expandem a narrativa visual do filme, colocando as peças em diálogo com os cenários e personagens que habitam esse universo: o samba, o artesanato, a tradição oral. Para a MISCI, cultura popular é um norteador fundamental de todo o processo criativo.
Essa postura se reflete também na curadoria de parcerias da marca, que ao longo das últimas coleções reuniu artesãs alagoanas e bordadeiras com passagem por grandes maisons europeias. "A curadoria passa por verdade, técnica e troca. Não nos interessam colaborações decorativas, o que importa é o encontro real entre saberes".
Rio de Janeiro como eixo estratégico
"A globalização muitas vezes pede neutralidade, e neutralidade quase sempre apaga a origem. A MISCI tenta fazer o contrário: crescer aprofundando a raiz. O lançamento acontece em um momento significativo para a MISCI, que após inaugurar sua primeira loja no Rio de Janeiro consolida a cidade como eixo de visibilidade global. Para a marca, estar no Rio é afirmar que o processo de internacionalização começa pelo aprofundamento das próprias raízes.
SER GLOBAL, PARA NÓS, NÃO É PARECER DE FORA. É FAZER O MUNDO OLHAR PARA O BRASIL SEM TRADUÇÃO DOMESTICADA. O RIO É A CIDADE MAIS GLOBAL DO BRASIL, E NÃO PRECISAMOS MAIS ESTAR FORA DO BRASIL PARA SER GLOBAL



Leia também
Marcas associadas à "brasilidade autêntica" crescem 74% nos últimos três anos
São João: a festa que o Brasil escolheu manter viva
Leia agora →Badauê assina o primeiro projeto de Wellness House do Brasil com foco em design sensorial
Patrícia Brasil vence a primeira edição do Prêmio Badauê — Gingado Brasileiro
Leia agora →



